Sei que eu vou sofrer... já havia me despedido de você mas agora sinto o coração apertado novamente porque tudo o que a gente viveu foi tão diferente de tudo o que eu já vivi. No nosso caso eu fui a errada, eu era a “perdida”, eu provoquei.
Demorei muito pra entender o que tinha acontecido, mesmo sendo tão rápido pra minha mente esquecer. Mas o que a gente construiu pra mim é algodão-doce; bonito, claro leve... eu sei que se desmancha com um simples toque, mesmo que seja o do seu celular.
Esse nosso pouco foi divertido porque já erramos no começo, assim não precisaríamos sofrer agora que você está indo embora. Mas olha, você vai fazer falta na minha vida, no meu msn, nos meus intervalos. Quando eu estiver doente e manhosa, quando eu estiver triste e fora de controle, amigo, vai ser ruim saber que você não está lá.
Eu entendo que você esteja crescendo, melhorando e evoluindo, sei que você está se preparando pra um vôo mais alto e sem solta, ao qual, inclusive, eu sempre te aconselhei, e é exatamente por isso que eu fico feliz, que eu torço por você, por uma vida melhor, uma paixão duradoura e intensa. Eu torço pra você nunca mais acordar sozinho, pra você ter o seu cantinho cheio de carinho. Sou grata pois você sempre soube cuidar de mim, sempre me fazendo rir, me dando conselhos. Eu fico feliz porque agora alguém vai cuidar de você (você sabe que eu já mais poderia).
Por isso eu peço VÁ FELIZ e não se despeça. Quero lembrar da sua alegria, da nossa intimidade tão profunda e tão tímida, do seu jeito sem embaraços e sem medo de dizer o que precisa. Quero a felicidade de saber que houve um homem com quem eu pude falar de absolutamente tudo sem medo, sem pudores, sem o temor dos assuntos delicados. Quero sonhar que você existiu somente naqueles instantes em que estivemos juntos.
Nossos abraços serão pra sempre.
“'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul...
...Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.'
Sobre como eu amo viver em São Paulo
Durante a última hora coisas tão corriqueiras e tão humanas aconteceram... mas eu já estive em outros lugares e não vi nada disso. Parece que tem coisas que só acontecem em São Paulo.
Vamos aos exemplos:
No caminho para o Correio encontrei uma família de mendigos formada por uma mãe e uns 5 filhos. O menorzinho ia por último, cantarolando uma música que eu não entendi, saltando e sorrindo, todo feliz. Chegando no Correio, peguei minha senha. Uma motogirl loira, com 1,80m de altura, quase caiu quando tentava sentar. Ela olhou pra mim, sorriu e disse: - Não empurra, né?! Na saída, eu havia contado 8 pessoas dentro do Correio. Eis que surge uma mulher e diz: - Está lotado... – vira e vai embora. Aposto que se houvesse 30 pessoas lá dentro ela pegaria sua senha e esperaria calma, encostada numa parede (pois as cadeiras já estariam ocupadas), jogando 21 no celular. Afinal, nós paulistas, adoramos uma fila.
Na volta, rumo a um restaurante limpo, passei em várias lojas, comparando preços e seguindo minha lista. Em uma perfumaria encontrei uma vendedora preocupada com a senhora que gritava “aposentadoria” do outro lado da Domingos de Moraes... acho que também era uma moradora de rua. E outra fila se formava enquanto esperávamos o atendimento da moça.
Quando eu finalmente cheguei no restaurante, a fila para o buffet já chegava na porta. Muita, muita gente. Uma comida maravilhosa (com exceção das carnes vermelhas que em geral são péssimas), por um preço razoável. Muitos engravatados. As mesas todas ocupadas e eu andando com o prato e as compras na mão. Não hesitei em pedir uma vaguinha na mesa de outra loura gigante e de uma negra miúda, todas nós igualmente desconhecidas. Enquanto eu almoçava, reparei que a loira que sorria tinha alguma coisa de diferente, mas não conseguia descobrir o que era, até que a moça terminou seu suco e sua salada-de-frutas e se levantou. O volume na calça era auto-explicativo. Pela primeira vez em minha vida eu almocei com um traveco!
Já recuperada desta nova emoção, voltei para o prédio, mas não sem comprar duas pulseiras de madeira que custariam R$ 15 cada uma, se eu as tivesse comprado no shopping do outro lado da rua e não tivesse pagado R$ 2 no camelô.
Existem mesmo coisas que só acontecem aqui, como achar graça de todas essas humanidades, enquanto curto os 18 graus que faz lá fora. Eu amo todos esses pequenos sabores, mesmo que alguns deles sejam tristes, porque essa diversidade da vida deve atrair nossos olhos... ela é feita para nos encantar e também pra nos mover. Sangue parado não é vida, paixão reprimida não é vida... a vida é movimento.
|
|
||||
|
||||
![]() | ||||
|
||||